“Como lutar contra o fluxo incessante de logos, marcas, slogans e jingles que inundam nossas ruas, invadem nossas casas e aparecem nas nossas telas?” É com essa questão que Micah White, editor da revista Adbusters, começa sua coluna sobre a publicidade como forma de poluição mental. Para ele, o verdadeiro perigo na publicidade não são as mensagens individuais, mas sim o efeito produzido na nossa “ecologia mental” pelo grande volume de publicidade a que estamos expostos. “Pense nas consequências mentais a longo termo da exposição ao comercial da Nike, dezenas de vezes ao dia, desde seu nascimento até a morte”, exemplifica. Quais os possíveis danos a nossa psique? 

A revista aproveitou a realização do 58º festival de Cannes, em junho, para promover uma campanha contra a “poluição publicitária”. Apoiado na teoria de Michel Serres, White explica que é necessário “parar de ver a publicidade como forma de comunicação comercializada e começar a vê-la como poluição”. De acordo com a teoria de Serres, os animais (humanos inclusive) usam a poluição para marcar e se apropriar de territórios, através da sua destruição – e nesse quesito estaria também a publicidade, considerada como poluição ‘soft’.

No final do seu artigo, White se junta a Serres em um apelo, pedindo a ação da sociedade contra a poluição mental e ambiental da publicidade. “A Terra está sendo dominada por corporações. Quer seja se apropriando do oceano com vazamentos de óleo ou se utilizando de espaços públicos com propagandas, corporações usam a poluição para roubar o que é nosso”, explica.

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