Barbie: uma imagem que aprisiona
Por Lais / Equipe em 13 julho 2012 - Comportamento
"Barbie: uma imagem que aprisiona", esse foi o título do meu trabalho de conclusão de curso de Psicologia há alguns anos atrás. Mas, posso dizer que essa boneca loira e linda sempre chamou minha atenção não só pelos belos modelitos que exibia ou por seus 10 cm de quadril e 12,5 de busto. Barbie prometeu a todas as meninas de minha geração um mundo cor de rosa repleto de acessórios e acabou nos aprisionando nesse sonho.
Agora, vamos há um pouco de história.No final dos anos 50 o casal Ruth e Elliot Handler, fundadores da fábrica de brinquedos Mattel, encontraram um nicho de mercado, ainda não explorado, ao observar as brincadeiras de sua filha Barbara de 7 anos com bonecas de papel. Nessa época não existia uma boneca tridimensional de corpo adulto com a qual a criança pudesse fantasiar e realizar seus sonhos. Foi nesse momento que Ruth criou a Barbie e seu mundo "Pink" revolucionando para sempre as brincadeiras das meninas que, até então, brincavam exclusivamente com bebês como um exercício para a maternidade.
Desde a chegada da Barbie nas prateleiras, garotas do mundo todo passaram então a experimentar, em suas brincadeiras, a falsa idéia de que as mulheres adultas podiam ser o que desejassem: médicas, astronautas, bailarinas, mas claro, desde que fossem magras e belas. Assim, a boneca virou o jogo e passou não só a ditar as regras da brincadeira, mas também os desejos da garotada; por esgotar em seu corpo magro, oco e de plástico com as possibilidades de ser, pois passava valores que priorizavam o ter.
Barbie, hoje com mais de 50 anos de idade, continua sendo a boneca mais amada e vendida no mundo todo e acabou conquistando um fã clube de mais de 18 milhões de membros, desfiles inspirados em seus modelos de roupa, exposições em museus mundo afora e até mais de 36 cirurgias plásticas em um único corpo. A estética da Barbie é hoje imposta pela cultura da moda e, principalmente, pelas imagens publicitárias mobilizando milhões de meninas e adolescentes a fazer de tudo para conquistar o corpo ideal vendido como passaporte para a felicidade.
Esse fato é tão verdadeiro que na semana passada um exemplo chegou à maioria dos jornais brasileiros chocando a todos: Duas adolescentes inglesas de 16 anos, da cidade de Crewkerne, chegaram ao baile de formatura do colégio empacotadas dentro de caixas da Barbie em tamanho natural, como verdadeiras bonecas de plástico encenando uma entrada triunfal. As caixas de papelão de 1,80 m X 0,60, com flores pintadas a mão, foram feitas por uma das mães que gastou 250 libras para realizar o sonho das meninas.
Bom, se a intenção era roubar a cena elas conseguiram. A cidade toda parou para vê-las passar, aprisionadas em seu sonho de infância. Onde vamos parar? No baile de formatura! Agora, vale a reflexão... Se de alguma maneira, nós mulheres nos libertamos dos espartilhos de nossas bisavós, as adolescentes da atualidade continuam aprisionadas ao culto do corpo perfeito numa busca incansável pela magreza e felicidade que não lhes dá sossego.
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Comentários
a foto realmente impressiona (ou seria aprisiona?). O que me chama mais a atenção não é somente o que a mídia perpetua; é a adoção dos modelos por nós. Por que nos deixamos aprisionar por esses sonhos de purpurina em vez de darmos lugar a sonhos de significado mais nobre? Que vazio é esse que a gente sente, que basta uma imagem como essa aparecer para se tornar uma referência? Minha filha tem bonecas Barbie. Espero poder mostrar a ela que são somente isso: brinquedos, e não modelos de vida. Que ela saiba que a felicidade é uma coisa muito diferente - e muito maior.
Exatamente. É preciso explicar às crianças que, para ser ser feliz, não é preciso estar inserida nesse estereótipo de beleza proposto pela mídia, e aceito por muitos. Abraços da equipe Criança e Consumo
Estamos vivendo numa sociedade de valores materialistas e padrões de consumo insustentáveis. É preciso mudar sim, e esse esforço também deve vir de cada um de nós. Mas acreditamos que é a transformação coletiva, do Estado, das famílias, das escolas, das empresas, que terá força para de fato mudar esse cenário.
Os apelos mercadológicos que a Mattel (fabricante da Barbie) vem disseminando são extremamente danosos e contribuem significativamente para agravar o consumismo infantil e a distorção de valores na nossa sociedade. Segundo dados apresentados no estudo “Monitoramento da publicidade de produtos e serviços destinada a crianças”, divulgado no ano passado pelo Instituto Alana e pelo Observatório de Mídia da UFES, a Mattel não só possui um histórico de práticas com campanhas mercadológicas abusivas como também revelou um verdadeiro bombardeiro de publicidade para crianças, sendo a empresa que mais anunciou ao público infantil nas duas semanas que antecederam o Dia das Crianças de 2011, com aproximadamente 8.900 anúncios durante o período.
Logo que saiu esse assunto no blog escrevi um texto complementando as críticas à Barbie e ampliando a discussão para bonecas de plástico em geral. Tentei postar esse texto, mas pelo que me informaram foi recusado por ser grande demais. Resolvi então inseri-lo, junto com o texto de abertura deste assunto, em meu site, em
http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/barbieridade.html
aaaaaaaaaaaa, VWS.
Comentários encerrados.