Com a internet cada vez mais presente no dia a dia de crianças e adolescentes, cresce também a preocupação de pais e educadores com relação à segurança e qualidade do que é acessado.

Pensando nisso, a INSAFE, uma rede de organizações que trabalha na promoção do uso consciente da internet na União Européia, promove há oito anos o Dia da Internet Segura. A data, que em 2011 será celebrada no dia 8 de fevereiro, mobiliza pessoas em mais 60 países e aqui no Brasil é coordenada pela SaferNet Brasil, pelo  Ministério Público e pelo Comitê Gestor da Internet.

Normalmente, a primeira coisa que vem à cabeça quando se fala de segurança na internet é o alto grau de exposição na rede, o cyberbullying, a divulgação de informações críticas e confidenciais para estranhos, os abusos e violações de direitos humanos. Sem dúvidas, tudo isso é muito preocupante e merece atenção.

O que pouca gente lembra é que segurança na internet vai além disso – e se trata também do bombardeio comercial a que as crianças ficam expostas enquanto navegam na rede. No final de 2010, por exemplo, o Projeto Criança e Consumo denunciou 39 empresas para o PROCON/Bahia, justamente por conta de suas publicidades veiculadas em sites infantis. Assim como no caso do que é veiculado na TV, a publicidade infantil na internet não tem qualquer tipo de regulação específica – o que significa que a proteção das crianças brasileiras fica a mercê do bom senso das empresas.

Para contribuir com as reflexões e atividades programadas para o Dia da Internet Segura 2011, o Projeto Criança e Consumo está divulgando o manifesto pelo fim da publicidade infantil, que já conta com a assinatura de mais de 13 mil pessoas.

A agenda completa de atividades está disponível no site do Dia da Internet Segura . Há ainda, no site, a oportunidade de colaborar com o evento enviando desenhos e cartões postais, além de jogos educacionais ou criação e colorização de histórias em quadrinhos.

Para saber mais: a Safernet desenvolveu uma cartilha com informações muito úteis sobre segurança na internet. Há também um vasto material para educadores, que pode ser trabalhado em sala de aula.

 

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  1. Alexandre Maciel Couto de Sá
    Alexandre Maciel Couto de Sá em Quinta-feira 03 Fevereiro 2011 05:20
    Caros, mais uma vez uso esse saudável espaço democrático para, de forma cordial e respeitosa discordar do trabalho bem intencionado de vocês.

    Na minha visão, trata-se de um equívoco querer regular a todo custo a comunicação, seja na internet ou em qualquer outro meio.

    As perguntas que faço são: Um anúncio voltado para criança tem o poder de ameaçar ou colocar em risco a vida de uma criança? Quantos profissionais de publicidade e propaganda trabalham sob grande responsabilidade individual, compromisso ético e compromisso com a vida? Não seria a grande maioria? E quantos trabalham de forma irresponsável, afrontando a vida? Não seria uma pequena minoria? E nesses casos já não há leis que regulamentam e punem abusos? Se alguém usa um automóvel de forma negligente a solução mais correta é proibir o uso do automóvel?

    Pois bem, creio que apenas o consumo irresponsável e exagerado seria letal ao ponto de colocar a vida de uma criança em risco.

    Além disso, a responsabilidade do consumo exagerado, insalubre e irresponsável é dos pais da criança, e não da atividade publicitária em si.

    Um exemplo claro de uma área muito mais perversa para as crianças é o trânsito. Na última sexta-feira, 28/1/2010, no Anel Rodoviário de Belo Horizonte, onze pessoas ficaram feridas num grave acidente. Uma delas, Laura Gibosky, 4 anos, ainda está internada em estado gravíssimo no Pronto-Socorro do Hospital João XXIII. Ela é prima de Ana Gibosky, 2 anos, uma das vítimas fatais.

    E esse não é um caso isolado. Quantas e quantas crianças são sacrificadas pela omissão do poder público no trânsito do Brasil?

    Ou seja, a atividade publicitária não ceifa vidas, pelo contrário. Pode-se discordar ideologicamnte do modelo capitalista, de livre mercado, de livre concorrência. Entretanto, se me permitem a paródia: Prefiro o barulho da publicidade livre ao silêncio das ditaduras. E nesse caso, uma ditadaura "cultural".

    Como diria Volteire: "Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."

    Saudações cordias.
  2. Mariana
    Mariana em Terça-feira 08 Fevereiro 2011 12:54
    Acho o trabalho do Criança e Consumo oportuno e necessário. Estamos tão mergulhados no capitalismo desenfreado e consumo excessivo que não nos damos conta dos danos que isso gera em nossa sociedade. E não me refiro aqui apenas às crianças. Mas no caso destas isso se torna ainda mais sério. Segundo cartilha divulgada em 2008 pelo Conselho Federal de Psicologia que trata sobre a contribuição da Psicologia para o fim da publicidade dirigida à criança:

    “(...) não tendo as crianças de até 12 anos construído ainda todas as ferramentas intelectuais que lhes permitiriam compreender o real, notadamente quando esse é apresentado por meio de representações simbólicas (fala, imagens), a publicidade tem maior possibilidade de induzir ao erro e à ilusão.”

    Parabenizo o Criança e Consumo. Pois, no mínimo, ao gerar polêmica faz com que as pessoas parem e pensem. Estamos juntos na luta pelo combate à publicidade dirigida ao público infantil.

    Abs,
    Mariana
  3. Alexandre Maciel Couto de Sá
    Alexandre Maciel Couto de Sá em Segunda-feira 14 Fevereiro 2011 10:51
    Apenas lamento que tanto esforço seja feito contra o capitalismo, contra o livre mercado, sendo que os dados reais demonstram que as crianças morrem diariamente no trânsito, crianças morrem consumindo drogas (eu nunca vi uma propaganda de drogas, mesmo assim o consumo de substâncias ilícitas aumenta diariamente), crianças morrem em hospitais... Não é a propaganda que ceifa vidas. Há uma distorção da realidade. Injustamente colocam o capitalismo como o vilão do mundo, sendo que foi exatamente esse sistema espontâneo que possibilitou inúmeros avanços para a humanidade. Respeito a opinião de vocês, entretanto, não se deve impedir o acesso do meu filho a propaganda, como se isso colocasse a vida dele em risco. Sou contra, acho um exagero e repito, porque não lutar contra as assassinas e abandonadas estradas brasileiras que matam mais que guerras?

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